14.9.11

O CÉU NÃO PODE ESPERAR



Volta e meia somos surpreendidos com uma notícia sobre a morte de alguém. Mas penso: por que sempre nos surpreendemos com a morte se ela é a única coisa que de fato sabemos que há de acometer aos homens? E, normalmente, quando recebemos essa notícia, nos invade também um sentimento angustiante e desesperador: é só isso? A vida consiste apenas nisso? Ilustra bem essa inquietação quando nos velórios, sentimos além da natural dor da perda, uma sensação de vazio. Talvez seja assim pois vemos o morto e pensamos que um dia lá também estaremos. Choramos em velórios a morte dos outros e da gente. Mas seria a vida só isso?

Viver eternamente sempre foi um desejo do homem. Desde os faraós egípcios com seus corpos mumificados afim de uma ressurreição futura, até os métodos de rejuvenescimento dos dias de hoje. Invejamos o Highlander do cinema, que pode viver eternamente. Aliás, o cinema ultimamente tem dado uma enorme vazão a esse desejo humano com os seus inúmeros filmes sobre vampiros que vivem séculos e mais séculos. Como diz o ditado, a arte imita a vida...

Esse desejo humano da eternidade é uma marca do divino em nós. Como disse o escritor russo Dostoiéviski: "há um vazio no coração do homem do tamanho de Deus". Nesse sentido, há um desejo no homem do tamanho de Deus e que só pode ser saciado na eternidade com Ele. Santo Agostinho afirmou também “Fizeste-nos Senhor, para Ti, e nosso coração está inquieto, enquanto não descansar em Ti”. A satisfação do homem só será plena em Deus e só seremos de fato satisfeitos em Deus quando passarmos a viver sob a perspectiva da eternidade.

Paulo, o apóstolo, diz o seguinte na primeira carta aos coríntios: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”. Os mais miseráveis são aqueles que são dignos de compaixão, de lástima, infelizes, lamentáveis. Os miseráveis são os que vivem, literalmente, em meio a miséria.

Viver a vida sem a perspectiva eterna é viver de forma miserável. Precisamos entender a verdade bíblica: somos seres eternos.

Nesse sentido, não devemos deter nossa esperança em Cristo apenas para esta vida. No entanto, muitos têm vivido como se aqui fosse a unica possibilidade de vida. Digo isso, pela observação das atitudes de muitos cristãos ao meu redor. Nossas atitudes dizem muito sobre a nossa esperança. Me refiro aqueles que buscam apenas os "tesouros da terra aonde a traça e a ferrugem consomem".

Precisamos de uma reeducação total em nossa cosmovisão quanto ao que buscamos e avaliarmos se o fazemos sob o horizonte da eternidade. Um mero exemplo a esse respeito é a quantidade de roupas que temos/compramos/desejamos. A sociedade diz que precisamos de roupas novas a cada nova estação, ou melhor, a cada tendência da moda. É um ciclo interminável e opressor. Aqueles que esperam em Cristo não só para esta vida reavaliam este quesito de nosso tempo. A roupa deve servir ao homem e não o contrário.

Temos uma falsa idéia de que estas coisas são "nossas". Voltemos a cena do velório. Lá percebemos, através do duro e direto confrontamento com a realidade, que vão se os anéis e ficam-se os dedos. A grande verdade é que precisamos de poucas coisas para viver e quanto mais temos, mais difícil será "sairmos" desta vida com qualidade.

Diógenes, o filósofo cínico, que viveu três séculos antes de Jesus, buscava viver uma vida desapegada aos valores materiais. Ele andava apenas com uma túnica e uma cambuca, esta, para se alimentar. No entanto, quando viu uma criança comendo com a mão pensou: "Uma criança me deu uma lição de vida". Abandonou ele, então, a cambuca. Não quero aqui dizer que precisar radicalizar como ele. Mas vale a reflexão sobre o valor verdadeiro das coisas. Como disse C.S. Lewis "Tudo o que não é eterno, é eternamente inútil".

Uma importante ressalva que é preciso fazer é que devemos desejar o céu, sim, mas não negligenciar, em contrapartida, a terra, ou vida nessa terra. Não podemos cair na armadilha do dualismo "céu versus terra". Precisamos entender que quando temos a consciência de que a eternidade já começou, não há mais dualismos. Infelizmente, muitos cristãos se deixam levar por esta dicotomia e vivem apenas pensando no céu em detrimento da terra. É o crente que canta "Ainda bem que eu vou morar no céu" quando vê a corrupção deste mundo e consequentemente se conforma com a realidade, pois já que vai morar no céu, nada aqui realmente importa. Talvez seja por essa razão que o cristianismo tem se alienado cada vez mais e pouco feito em relação a transformação social de nosso tempo. Aliena-se nas quatro paredes da eclésia, e a verdadeira eclésia (chamados para fora) perde seu significado.

Mais uma vez C.S.Lewis nos ensina que "O céu não é aqui, mas começamos a vivê-lo aqui. Aqui seria como uma ante-sala, que logo sairemos dela e experimentaremos de fato o que realmente nos espera."

Não podemos aguardar para viver o que nos espera apenas na eternidade. Certa vez ouvi uma pessoa dizendo que há dois tipos de cristãos: os que esperam ir para o céu para ver a glória de Deus e os que não esperam ir para o céu para ver a glória de Deus. Ver a glória de Deus significa ter vida com Ele. Viver para a Sua glória é vê-la sendo manifestada através da nossa vida. Não há alegria maior na vida de alguém do que ver a glória de Deus, na experiência com Ele e com o meu próximo. Ver a glória de Deus é ver o sorriso da criança que antes chorava, mas hoje por pouco se alegra. Ver a glória de Deus é ter uma experiência com o absoluto através da simples oração de ação de graças. Ver a glória de Deus é ver alguém que não sabia mais o que significava a palavra esperança, mas hoje vive pela maiores das esperanças que se pode ter, a vida eterna.

Viva a eternidade já. O céu não pode esperar.

25.8.11

10 razões bíblicas porque sou Botafogo



1) Sou botafoguense porque a bíblia diz que devo obedecer meus pais. E como meu pai é botafoguense e ele é o patriarca minha família, eu não poderia fazer diferente a não ser obedecê-lo.
(Êxodo 20:12) – Honra a teu pai e a tua mãe

2) Sou botafoguense porque as cores do meu time apresentam o plano de salvação resumido: o preto e o branco ilustram a transição das trevas para a luz, ou seja, do preto para o branco.
"pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor (Efésios 5.8-11)

3) Sou botafoguense porque o Botafogo é o time das cinzas e a bíblia me diz que do "pó eu vim e para o pó voltarei. (Ecl. 12:7)

4) Sou botafoguense porque meu time meu time tem a Estrela no escudo. A bíblia me diz que Jesus é a estrela da manhã. (Ap. 22:16)

5) Sou botafoguense porque li na bíblia que certa vez, um profeta chamado Elias pediu a manifestação de Deus ele dizendo: Deus, Botafogo! (I Reis 18:38)

6) Sou botafoguense porque Deus é fogo consumidor! (Hebreus 12:29)

7) Sou botafoguense porque a exemplo de Jesus, não temos a vergonha de chorar. (João 11:35)

8) Sou botafoguense porque meu time sempre foi um baluarte de jogadores cristãos como Lúcio Flávio, Bebeto, Jefferson, Dodô entre outros. Kaká só não jogou no Botafogo porque não fizemos uma proposta (ainda!). Inclusive a organização Atletas de Cristo surgiu no Botafogo quando o jogador Balthazar por lá jogava.

9) Sou botafoguense porque apesar de não ser calvinista, não escolhi o Botafogo, foi ele quem me escolheu.

10) Sou botafoguense porque não poderia ser flamengo (ops, me desculpe o palavrão) que como todos sabem tem as cores do "coisa ruim", além de ser uma má influência como as constantes fotos de presos trajando sua blusa evidencia. Afinal, ventilador de flamenguista é helicóptero da polícia.

Também não poderia ser Vasco porque sigo apenas a cruz de Cristo e a nenhuma outra.
Não poderia ser fluminense porque eles são pó de arroz e esse negócio de pó não dá certo, né Amy?
Não poderia ser América porque o mascote deles é o Diabo.
Não poderia ser Santos porque a bíblia diz que precioso é para o Senhor a morte dos seus santos. (Salmos 116:16)
Não poderia ser Palmeiras pois Porco é segundo o Antigo Testamento um animal impuro. (Lv. 11:7)
Não poderia ser Corinthians porque me lembra aquela cidade idólatra do Novo Testamento.
Não poderia ser São Paulo, porque não adoro nenhum ídolo/santo. Somente Jesus Cristo!
Não poderia ser Internacional porque seu mascote é um Saci Pererê, demônio do folclore nacional.
Não poderia ser Grêmio porque no sul é muito frio e Deus é fogo consumidor!
Não poderia ser Cruzeiro porque seu mascote, a raposa, é um animal traiçoeiro.
Não poderia ser Atlético Mineiro porque seu mascote é o galo, animal marcante na traição de Pedro


"O Botafogo é bem mais que um clube – é uma predestinação celestial. Seu símbolo é uma entidade divina. Feliz da criatura que tem por guia e emblema uma estrela. Por isso é que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da luz. Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus." (Armando Nogueira, jornalista.)

E aí, te convenci? hehehehehe!!!

25.7.11

Igreja 24h


Quando precisamos de dinheiro, principalmente em horários não comerciais, vamos ao banco 24 horas. Hoje em dia temos farmácia 24 horas, restaurante 24 horas, mercado 24 horas, etc. Por que não temos ainda igreja 24 horas?

Ouvi há poucos dias uma frase que me fez pensar: “Não vamos à igreja, somos igreja. Não vamos ao culto, somos culto”. De fato, concordo com esta afirmação e acredito que quando pensamos diferente, igreja e culto se tornam apenas eventos.

Temos que ter em mente que somos igreja não somente quando nos reunimos em um templo. Somos igreja quando, por exemplo, nos reunimos em casa com nossa família. Somos igreja quando nos encontramos com nossos irmãos no mercado ou no shopping. Somos mais do que um grupo que se reúne em um edifício, somos, na verdade, o edifício no qual a igreja se reúne.

O templo e a sede não fazem a igreja ser Igreja. Temos o costume de dizer que vamos à igreja. Não que estejamos de todo errados em dizer, mas se pensamos que igreja é só isso, aí mora o perigo. O templo só é sagrado porque nós ali estamos. O Espírito Santo habita em nós e não no templo.

Ao dizer que “somos culto”, entendo que o culto é realizado em nós, como nos ensina o apóstolo Paulo: “(...)e apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Rom. 12:2

O culto que prestamos para Deus na companhia dos nossos irmãos é, no entanto, fundamental, mas precisamos cultuar a Deus quando estamos a sós, em nosso dia-a-dia. Caso contrário o culto coletivo se esvazia de significado e valor e acabamos subentendendo que Deus está apenas no templo.

Nós podemos ser igreja no escritório do advogado, no consultório do dentista, na mesa do professor, no balcão da padaria e em todos os locais onde diariamente estamos. E o Espírito Santo que habita em nós nos mostrará como ser igreja 24 horas.

(texto publicado originalmente na pastoral da PIBRJ no dia 17/07/2011)

5.7.11

Vendedores de mapas


"Faça o que eu digo, não faça o que eu faço!"
Quantas vezes já ouviu esta expressão acima? Sua mãe já lhe disso isso, não foi? Ou então algum professor na escola, ou adulto quando você foi criança. Essa expressão dá conta de uma péssima característica humana: a incoerência. O que queremos, nem sempre é o que fazemos.
Já prometemos iniciar aquela dieta na segunda-feira, mas...
Já decidimos juntar dinheiro, mas...
Já fizemos promessas no ano novo, mas...
Mas o quê? O que aconteceu que a vontade ficou apenas na vontade?
As respostas não são tão fáceis, mas acho que temos uma pessoa que nos ajuda a entendermos melhor isso.
Jesus foi o homem que conseguiu conciliar o que desejava com o que fazia. Ele era perfeito.
A bíblia então nos admoesta: "tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus".
Seguindo o exemplo do mestre, a primeira coisa que precisamos fazer é buscar uma coerência entre o que se é e o que se aparenta ser. A árvore boa aparenta ser boa, mas tem árvore ruim que aparenta ser boa. Jesus diz: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus?" (Mt 12:34). No contexto em que lemos, ele está se dirigindo aos fariseus, que eram os religiosos do seu tempo e que estavam mais preocupados em manter a lei, em dar o exemplo para outros religiosos do que de fato com as pessoas. Os fariseus eram os que jejuavam e faziam questão de mostrar o rosto abatido para se mostrarem mais religiosos. Os fariseus eram aqueles que gostavam de orar em público, nas praças e sinagogas para que todos vissem.
A esses, Jesus chama de HIPÓCRITAS. HIPÓCRITAS! Não sei se você sabe, mas a etimologia da palavra hipócrita é ator. São atores, encenando uma falsa espiritualidade e devoção a Deus. Serão só eles?
John Stott, disse a esse respeito o seguinte: 

“É facil ser critico dos religiosos contemporâneos de Jesus e deixar de perceber a repetição da vanglória deles em nós mesmos. Ainda profundamente entranhada em nossa natureza decaída está a sede por louvores de homens.”

Os religiosos, infelizmente, são os mais suscetíveis à hipocrisia. A religião pode muitas vezes maquiar o que somos! A grande verdade é que somos o que somos quando ninguém nos vê, apenas Deus.
Deus se relaciona conosco quando somos aquele quando se está só. Dostoiévski disse que

“Nas lembranças de cada homem há coisas que ele não revelará para todos, mas apenas para seus amigos. Há outras coisas que ele não revelará para seus amigos, mas apenas para si próprio, e ainda somente com a promessa de manter segredo. Finalmente, há algumas coisas que um homem teme revelar até para si mesmo”.

Isso nos leva a segunda atitude que devemos ter no seguimento de Jesus que é nos conhecermos. 
Jesus sabia muito bem quem ele era. Ele sabia de onde tinha vindo e para onde iria. Sua missão foi revelar sua pessoa a nós homens. Precisamos saber também quem de fato somos (confundimos o que somos com o que fazemos). Havia na filosofia grega um ideal que alguns os filósofos tinham em mente. Era a máxima do Oráculo de Delfos: “Conheça-te a ti mesmo”. Nesse sentido, o filósofo buscava descobrir quem era e assim descobrir também os mistérios do mundo. O cristianismo também nos adverte a nos conhecermos com a célebre instrução: “Examine-se pois o homem a si mesmo”.
No livro, o “Impostor que vive em mim”, Brennan Manning conta-nos a história de um paciente do grande psiquiatra suíço Carl Jung. Ele tinha ido a Jung para buscar ajuda em sua depressão. O conselho inicial de Jung foi, "reduza sua jornada de trabalho e chegue em casa mais cedo e fique sozinho trancado em seu quarto."
O paciente, então, reduziu sua jornada de trabalho e quando chegava em casa ia logo se trancar em seu quarto. Lá passava horas escutando Mozart e Bethovenn e lendo textos de Herman Hesse e Thomas Mann. Depois de algumas semanas ele voltou ao psiquiatra dizendo que nada havia mudado em seu quadro, mesmo ele tendo obedecido aos conselhos do médico. Jung então perguntou o que ele havia feito. Após ouvir sua resposta ele disse: você fez errado. Eu não queria que ficasse na companhia de Mozart, Bethovenn, Mann e Hesse. Eu queria que ficasse sozinho. O homem ficou horrorizado e exclamou: "Não consigo pensar em pior companhia!"
Tememos estar só...
A esse respeito, Calvino disse que:

 “O coração humano possui tantos interstícios em que a vaidade se esconde, tantos orifícios em que a falsidade espreita, e estã tão ornado de hipocrisia enganosa que ele com frequência trapaceia a si próprio.”

Nesse sentido, podemos dizer que muitas vezes somos inimigos de nós mesmos. Precisamos nos conhecer, saber o que há em nosso coração a fim de que não falemos uma coisa e façamos outra. Falar uma coisa e fazer outra é como aquele vendedor de mapas, que vende rotas e destinos de locais aonde nunca foi. Podia, quem sabe, viver todas as aquelas experiências, mas não o faz. Talvez por falta de recursos ou então, pelo fato de ser aquilo apenas uma profissão e nada mais.Devemos, na verdade, ser como guias, percorrendo os caminhos, lado a lado, fazendo discípulos, deixando que pisem em nossas pegadas. O cristianismo é uma fé que remete o fiel à missão. Ele deve ir anunciando o evangelho. No entanto, essa tarefa parece muito difícil para os "vendedores de mapas" da fé.
Precisamos deixar que Jesus transforme nossa vida, nosso caráter, nossa forma de pensar.
Tem gente que fica a vida inteira atrás de Jesus mas não se deixa ser curado por ele, por que acha que o problema só está nos outros (Vim para os doentes...).
Precisamos ser sarados por Jesus. Se for preciso, precisamos também ser exorcizados por Jesus. O teólogo e filósofo Ariovaldo Ramos diz que mais do que tirar-nos do inferno, Jesus quer tirar o inferno de nós. Só podem ser transformados aqueles a quem Deus tirou o inferno de dentro deles...
Ser transformado é ser como a árvore boa que produz bons frutos.
Precisamos ser transformados sempre. A coisa mais triste que pode haver a uma pessoa é ela achar que não precisa de mudança, de ser transformada, que vai morrer assim do jeito que é. É a síndrome da Gabriela:

"Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim: Gabriela, sempre Gabriela!"
O evangelho nos chama a mudança de pensamento (metanóia). Nos convoca a mudança rumo a coerência entre o que queremos e o que, de fato, somos!
Precisamos trabalhar constantemente o que somos, lapidar nosso caráter a imagem de Jesus. "O significado da nossa vida emerge quando nos rendemos a aventura de nos tornarmos quem ainda não somos." (Brennan Manning)
No momento em que entendemos isso, poderemos dar o fruto bom e verdadeiro. Nossa vida será uma linda e bela árvore com frutos deliciosos e saborosos. Mais ainda assim não será o fim da transformações.

“Nós não somos o que gostaríamos de ser.
Nós não somos o que ainda iremos ser.
Mas, graças a Deus,
Não somos mais quem nós éramos.”
(Martin Luther King)

Em Jesus, nunca mais seremos o que éramos. Ao olharmos para ele, assumimos a sua missão e rompemos a inércia. Ouço, então, a suave voz que me diz: "Faça o que eu digo e FAÇA O QUE EU FAÇO!".

22.6.11

Conhecer e prosseguir em Conhecer



Disse Aristóteles que todo homem por natureza busca o conhecimento. Concordo com ele.
Concordo pois penso que conhecer é sempre prazeroso. E não só falo de conhecimentos filosóficos ou científicos, mas o simples conhecer algo novo. Adoramos quando conhecemos, por exemplo, uma pessoa nova, um lugar novo, uma música nova. E quando penso que é prazeroso o conhecimento, penso em felicidade: o prazer que gera a felicidade. E como todos buscamos a felicidade, conhecer é também uma coisa que buscamos por natureza.

Há, no entanto, aqueles que buscam o conhecimento por entenderem que este os beneficia de alguma forma, como status e poder. Não que o conhecimento não nos beneficie, muito pelo contrário, é algo extremamente benéfico. O conhecimento é mais um fim do que um meio. Há prazer e felicidade para aquele que o busca.

Em um diálogo de Platão, seu interlocutor, chamado Mênon, apresenta um paradoxo bem interessante sobre o conhecimento: "como encontrar o objeto que nos é completamente desconhecido?". Caso o encontremos, como saberemos se ele é o objeto procurado? O que nós já sabemos não precisamos mais procurar e o que não sabemos como reconheceremos?

Assim sendo, o processo de conhecimento é sempre algo paradoxal. Conhecemos algo quando o buscamos como que tateando no escuro. O conhecimento, nesse sentido, surge para nós como uma revelação, um (des)cobrimento. Algo que estava encoberto e se desvelou.

Deus, que não se pode ser apreendido plenamente, desejou se revelar ao homem. Em Jesus temos a revelação do Deus Aba que ama: "(...)ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar (Mateus 11:27)". Deus é conhecido porque ele se auto-revelou em Jesus Cristo. O conhecimento de Deus se dá no conhecimento do Filho. Conhecemos Deus não por que o procuramos, mas porque ele mesmo se revelou.

O apóstolo Paulo ensina a buscar o conhecimento de Deus quando diz "Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo(...)para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte (Fil. 3:7,10).

Conhecer a Deus e os seus mistérios é o que o homem, em última instância, por natureza busca. Mas será possível conhecer a Deus de fato?

O que conhecemos é o que Deus decidiu revelar a nós. Os cristãos têm em Jesus o retrato de Deus. Têm na bíblia um relato de Deus. Mas Ele é infinitamente mais do que isso. Deus é muito mais do que a bíblia pode dizer.
No entanto, não podemos dizer mais sobre Ele do que a mesma nos disse. Conhecer a Deus é, nesse sentido, um processo limitado, no qual nenhum homem jamais conheceu seu limite.

Boécio, filósofo cristão medieval disse que “De fato, o desejo de conhecer jamais se saciará, até que se conheça o ser incriado (Deus)". De forma semelhante, Tomás de Aquino também afirmou que "Conhecer Deus é o fim necessário das criaturas intelectivas.” O conhecimento supremo das coisas está em Deus. Não há conhecimento que valha a pena senão o que aponta para Deus.

Existe um ramo da teologia chamada apofática/negativa. É a teologia que diz que não é possível dizer sobre Deus, apenas sobre o que ele não é. Deus não é grande, por que "grande" não dá conta de exprimir o que Deus é. Deus é "mais-do-que grande"; Deus não é bom por que a palavra bom não explica a bondade de Deus. Deus é mais-do-que bom; Deus não é justo por que dizer que ele é justo é reduzi-lo nessa de-limitação. Deus é muito-mais-do-que justo. Conhecer a Deus plenamente, segundo a teologia negativa, é impossível, dado sua realidade tão "totalmente outra" e indizível. Como disse Lutero: Deus é o ser absconditus.

Resta-me seguir minha jornada sem fim, guiado pelas palavras do profeta que disse:

"Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor" (Os. 6:3)


28.3.11

O belo Deus que ama o belo!



“Deus criou o homem poeta do seu resplendor.” (S. Gregório Nazianzeno)


Deus é um ser criativo. Já disse isso aqui em outros momentos. Mas quero reafirmar isso. O Deus que criou o mundo em 6 dias, disse bom no fim de sua criação. Estética e contemplação num frase: "bom!". Isso me faz pensar em Deus como um artista. Picasso disse certa vez: “Deus é, sobretudo, um artista. Ele inventou a girafa, o elefante, a formiga. Na verdade, Ele nunca procurou seguir um estilo – simplesmente foi fazendo tudo aquilo que tinha vontade de fazer”. Se então somos a imagem e semelhança dEle, somos também artistas!

No entanto, fico perplexo quando penso quantos cristãos artistas temos em nossas igrejas. Quantos pintores, artístas plásticos, escultores, atores, escritores cristãos praticantes conhecemos? Por que isso?

Isso se dá pelo fato de interpretamos a bíblia de forma incompleta. O que nos interessa em nossa hermenêutica é o que se entende por "questões espirituais". Lemos todas as circunstâncias como se o que importasse fosse o fundo espiritual da história. O que é "terreno" é posto de lado em detrimento do que é "espiritual".

Nesse sentido, a arte é negligenciada. O que é mais humano do que arte? Homens fazem arte. Animais não. Há um tempo atrás em uma novela havia um macaco que pintava quadros. Mas não arte...arte é algo iminentemente humano. É assim, pois o contemplar foi dado por Deus aos homens. Ele contemplou a sua criação, a sua beleza. Como disse Dionísio Pseudo-Areopagita “A beleza é um dos nomes de Deus”. O mesmo afirma que o “o homem é criado segundo um modelo eterno, o arquétipo da Beleza”.

Francis Schaeffer diz que: “Como cristãos sabemos que uma obra de arte tem valor. Primeiro porque uma obra de arte é uma obra de criatividade, e a criatividade tem valor porque Deus é o criador(...). Em segundo lugar (...) porque o homem é feito a imagem de Deus e, portanto, não pode apenas amar, pensar e sentir emoções – ele também tem a capacidade de criar. Tendo sido feitos a imagem do criador, somos chamados a criatividade.” O belo exige o esforço da criatividade. A criatividade é a mãe de toda arte!

Deus ama o belo e nós também. E o belo é o que nos encanta. Vejo beleza em crianças...vejo beleza no por-do-sol...vejo beleza na humildade...vejo beleza na chuva, no arco-íris...vejo beleza no choro...vejo beleza nas cores dos quadros do brasileiro Romero Britto...vejo beleza no cânon em ré maior de Pachelbel. Eu desejo a beleza. Eu procuro a beleza.

“A beleza salvará o mundo” é uma frase de Dostoievski, no romance “O idiota”. Em seguida ele acrescenta: “E não há e nem pode haver nada mais belo que o Cristo!”. Jesus veio mostrar um novo rosto de Deus. Um rosto belo, que já havia sido esquecido pela religião legalista e hipócrita. Quando vemos o rosto de Jesus, vemos o rosto de Deus:

"Quem me vê, vê o Pai. Como é que ainda me pedes para te mostrar o Pai? Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” (Jo 14, 9-10).

Pensando na beleza das coisas belas, parafraseio Vinícius de Moraes: "Desculpem-me as coisas feias, mas beleza é fundamental."


12.3.11

Lições infantis para adultos

Quem nunca foi advertido por uma criança? Hoje em dia isso é cada vez mais comum, o sermos exortados por elas quando fazemos algo errado. Por serem sinceras, às vezes ouvimos o que não queríamos.

Há um quadro no Zorra Total (não, eu não vejo isso, só quando estou mudando de canal ou testando a minha inteligência!) que é bem interessante. São umas crianças que estão brincando enquanto os pais, dois casais, jogam cartas. E o enredo do quadro é que elas interrompem os pais dizendo coisas que eles dizem em casa sobre o outro casal, deixando-os bem embaraçados.

Isso é bem típico da criança. Portanto se tem filhos em casa, pense duas vezes antes de falar mal dos outros na frente delas...

Jesus em Mateus 18 é abordado pelos discípulos com uma questão: "Quem é o maior do reino?". Coisa bem típica de adultos, o querer saber quem é o maior. Fazemos hierarquias em quase tudo o que fazemos. Se estamos jogando futebol, por exemplo, sempre pensamos quem é o melhor (nesse caso, para seguir esta regra, eu é claro!). Se estamos no trabalho, pensamos quem é o que ganha mais. Se estamos na igreja, pensamos quem é o melhor crente e normalmente é para nós, aquele mais certinho e quieto. Temos a mania de comparar tudo o que fazemos. Quem foi o melhor, Pelé ou Maradona, Romário ou Ronaldo?
Com os discípulos não era diferente: eles queriam saber qual era o melhor entre eles.

E Jesus para respondê-los, dá uma resposta bem inusitada. Coloca uma criança no centro deles e diz que ela era a maior no reino. Disse que quem se fizer como uma uma delas, humilde, esse era o maior. O maior era o menor.
Eu costumo dizer que eu aprendo mais com as crianças sobre Deus do que eu as posso ensinar sobre Ele. Elas têm naturalmente um rastro divino, afinal, sairam do seu sopro a menos tempo. As crianças me ensinam todos os dias. Sou constrangido diversas vezes por suas perguntas e respostas. Penso que Jesus queria todos nós ensinássemos aos outros como crianças ensinam; que vivessemos como crianças vivem; que amássemos como elas amam.
A bíblia diz "ensina a criança no caminho em que deve andar". Parafraseando eu diria "Criança, ensina o adulto no caminho em que deve andar". Elas são uma escola!

28.2.11

Confissões de um pastor


Sou um pastor de crianças em tempo integral. Sou um sobrevivente, já que hoje somos poucos os pastores de crianças.

Tenho sido impactado ultimamente por estar mais perto dos pequeninos e observar sua condição de subprodutos de um sistema avassalador como a pós-modernidade. Elas são como um rebanho sem pastor, já que são mais facilmente influenciadas...são cordeirinhos sob o atento olhar dos lobos.

Em um mundo relativista como o que vivemos, tem sido difícil ensinar as crianças as verdades bíblicas. Falar que existe uma verdade absoluta como a bíblia é uma tarefa semelhante a de dizer às crianças que o Google (já ouvi crianças dizendo que iriam procurar no google o que eu disse) pode errar as vezes. Na verdade,talvez para elas, Deus até pode ser como o Google: sabe de tudo (onisciencia), nunca dorme (onipresença) e tudo pode (onipotencia). É raro eu pregar para elas sem ouvir perguntas questionando sobre os assuntos. Nada contra as perguntas, as acho vitais para uma fé genuína, mas o caso aqui é outro: o de questionar a autoridade e mostrar que eles também sabem e podem.

Penso que a experiência de ser pastor de crianças deve ser semelhante a dos professores de crianças. Foi-se o respeito e muitos ouvem "poucas e boas" dos seus alunos. Na verdade isso é só mais um desdobramento do relativismo, que inicia em casa. Os pais já não são mais referenciais de verdade e autoridade para as crianças.

Outra tarefa árdua tem sido ensiná-las a ler a bíblia. Dia desses me vi em uma situação complicada. Eu tive que escolher entre a criança trazer a bíblia ou o celular,que continha a bíblia. Eu queria ensinar à elas o hábito de trazerem suas bíblias, amá-las, carregá-las. Acabei cedendo ao celular, que além de ter bíblia, tem jogos, músicas, internet, vídeos, relógio, câmera fotográfica, entre outras coisas. Como competir? Eu assim o fiz no intuito de dizer que se ela lê a bíblia no celular, então que o traga. A sua resposta você já deve saber.

Num mundo onde as notícias vem em 140 caracteres, como fazer a criança ler o salmo 119?

Um outro desafio que tenho travado é o consumismo. As crianças são hoje o maior alvo da indústria publicitária, pois são,de certa forma, mais vulneráveis. Ao perguntar se uma criança quer cem reais ou um brinquedo que custa o mesmo preço, ela, sem titubear, ficará com o dinheiro. Comprar é atualmente uma opção para a criança consumista. Se antes os pais compravam, hoje as crianças é que decidem o que querem. Nos supermercados eu sempre vejo crianças escolhendo seus produtos, que são os que, de preferência, têm um desenho do Shrek ou do Ben 10. Tem até maçã da Turma da Mônica. Por que será?

Como desviar o seu olhar para as coisas e levá-los à Deus?

Como ensinar que temos que nos desfazer daqueles brinquedos que não brincamos mais?

Como ensinar sobre o dízimo?

Como ensinar a elas que o mais importante é dar do que receber?

Isso me leva a uma outra questão que se coloca: a competivividade. As crianças de hoje são inseridas no mundo competitivo desde cedo. Elas já disputam vagas nas escolas com 4 e 5 anos. São cobradas a serem as melhores em tudo. A TV as ensinam que as melhores são as que têm tal brinquedo, calçado ou roupa. Na escola ou igreja, elas precisam ter, senão ficam "para trás".

São treinadas já pequeninas para serem grandes profissionais, atletas e buscarem o sucesso. A pergunta que me faço é se na igreja ou em casa temos ensinado para elas que o maior é o que serve? Será que o sonho dos pais tem sido verem seus filhos como adultos humildes, dispostos a largarem tudo por Cristo? Qual é o padrão de sucesso hoje para as crianças em nossas igrejas? Será que temos ensinado que não vale tudo para “vencer”? Qual postura ética temos cobrado das crianças hoje? São perguntas que me faço constantemente.

Tenho buscado em meu ministério ensinar às crianças os valores bíblicos que devem nortear as suas vidas. Tenho buscado, acima de tudo, ser exemplo nesses valores, já que não posso me esquecer que, mesmo sendo afetado de forma diferente, sou também pós-moderno.

Como disse, sou um sobrevivente!

Mas continuo respirando...


18.2.11

Você não vale nada mas eu gosto de você



Tá, é brincadeira eu começar com um título desse, eu sei. Não o fiz só para chamar a sua atenção, acredite! Esse bordão fez "sucesso" há uns anos atrás, como uma trilha sonora de uma novela. É de um grupo de forró que não vale nem a pena dizer o nome (procura no google que é melhor...). Mas apesar de soar cômico e "pastelhão", tenho pretensões sérias com este texto.

Sob a ótica cristã, não valemos nada. Digo isso, já que segundo a Bíblia, todos somos pecadores e não temos mérito nenhum diante de Deus. Não há um justo sequer que faça o bem. O próprio Jesus disse certa vez que somos servos inúteis e que só fazíamos aquilo que eramos ordenados. É claro que devem ser feitas algumas ressalvas a estas afirmações, já que a própria Bíblia também nos diz que somos mais que vencedores, amigos, e alvos do amor de Deus. Com isso o saldo é o seguinte: não merecemos, mas Deus nos dá mesmo assim!

Aprendi que o amor é assim também. Nós amamos sem pedirmos em troca, sem cobrarmos algo do amado. Aprendemos, acima de tudo, isso com Deus, que é amor. Ele nos ama mesmo que nós não tenhamos algo a oferecer. Tudo o que podemos fazer, não se compara a nada de que Deus precise ou que pague o amor que Ele tem por nós. A encarnação do filho, a vida de Jesus é prova desse amor que se dá sem nada esperar. Jesus é crucificado por esse intenso amor altruísta, levado às últimas consequências, ao ponto de perdoando dizer: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." (Lc. 23:33). Jesus ama mesmo quando é assassinado em troca desse amor.

Seguindo o exemplo do mestre, devemos amar sabendo que este é o caminho mais excelente. Sair da teoria e caminhar em direção a prática. Esse caminho dá sentido a vida. Paulo disse que "sem amor eu nada serei". Amar é uma condição sine qua non para a existência. Corremos o risco de apenas "sobrevivermos" sem o amor. Ele é uma questão existencial de extrema importância. A sua relevância é tamanha que, penso que, o homem feliz é um homem amado. Todos precisam se sentir amados. Aprendi essa liçao com o meu cachorro, que gosta de atenção e carinho. Um cafuné para ele é fundamental (ainda vou escrever um post sobre a Teologia Canina). E se ele precisa, quanto mais nós humanos. Precisamos de abraços, beijos, toque!

Nossa "virtual-vida-virtual" nos ilude de que somos amados. Basta termos muitos amigos nas redes sociais para nos sentirmos queridos. Mas nos estaleiros da alma, falta nos algo. Recebemos muitos recados em nosso aniversário, mas carecemos de abraços. Nosso tempo tem sucumbido na superficialidade dos relacionamentos e o amor de muitos têm se esfriado.

O amor custa caro, é verdade. É necessário pagar um preço por ele. Não há amor que seja gratuito para o amante. Ele tem um preço. Não é fácil amar. A palavra paixão, que comumente se usa para falar de pessoas que amam intensamente, tem na sua etimologia o sentido de dor. Amar demais é sentir dor. Tenho aprendido em meu casamento, que amar constantemente alguém é superar as dificuldades e as fraquezas do outro e literalmente sentir dor, pagar um preço. Jesus disse que "...ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos".

Gosto de uma música que cantamos na igreja, chamada "Alto preço". Ela diz que foi pago um alto preço que para fóssemos "Um". Jesus pagou esse preço para que amemos também. Que vivamos o que cantamos e cantemos o que vivemos!

"E na força do espírito santo
Nós proclamamos aqui
Que pagaremos o preço de sermos
Um só coração no Senhor"


Você pode até dizer para alguém que ela não vale nada, mas diga: "Eu gosto de você!".

14.2.11

Se eu fosse você



Disse Jesus certa vez: "Em tudo, faça aos outros o que você quer que eles lhe façam; nisto se resumem a lei e os profetas". Essa máxima ética, que já era encontrada na antiguidade em outros como no estóico Sêneca (“age com o teu inferior como gostarias que o teu superior agisse contigo”), é de certa forma reinterpretada por Jesus que aliada ao "Ama ao teu próximo como a ti mesmo" se tornou uma poderosa prerrogativa para a práxis cristã.

Semana passada, todos vimos a aplicação desta regra(que é conhecida como Regra de Ouro) com os cristãos coptas do Egito. Eles fizeram um cordão de isolamento para protegerem os muçulmanos durante o período de orações destes. Vale ressaltar que há pouco mais de um mês, dezenas de cristãos foram mortos em um atentado de um homem bomba muçulmano e que até mesmo durante os protestos contra o ditador Mubarak, cristãos foram mortos por extremistas muçulmanos se aproveitando do caos instalado. Os seguidores egipcíos de Cristo parecem que entenderam bem as palavras de seu mestre.

Há um filme nacional que ilustra bem essa situação:o campeão de bilheterias "Se eu fosse você". Nele, um casal a beira do divórcio tem uma inusitada experiência: eles trocam de corpo. O homem acorda com o corpo da mulher e vice-versa. O filme, que diga-se de passagem, já um tema recorrente em Hollywood, é interessante por mostrar que o casal, através da troca, começou a enxergar a vida através dos olhos do outro, vendo assim melhor. Eu penso que se todos nós tivéssemos uma experiência de alteridade como essa, seriamos mais tolerantes com os que julgamos serem diferentes, mesmo que de fato sejamos diferentes. Haveria mais respeito com outras religiões, opções sexuais, culturas, etc. Deveria o cristianismo ser a voz mais alta na luta pelos direitos de todas as minorias, já que um dia, se é que lembramos disso, já fomos uma. Respeitar implica dizer que todos têm direitos à liberdade de escolha, mesmo que discordemos destas.

Precisamos, de uma vez por todas, entender que a ética cristã, é perpassada necessariamente por este princípio e que ignorá-lo é viver um evangelho incompleto.

4.2.11

Aperte o start!



Tenho pensado muito ultimamente em nossa correria diária. Voltei de férias há menos de um mês e já estou cansado! Por que isso acontece? Se eu olhar para a minha agenda semanal, vejo que tenho muitos tarefas. Mas o que mais me impressiona é que nunca consigo cumprir todas as coisas que me proponho a fazer na minha lista. Sempre falta algo...

Talvez por isso o sentimento de insatisfação e de que falta fazer alguma coisa é sempre presente. E automaticamente, fica em minha mente uma pré-ocupação fazendo com que eu nunca descanse de fato. Como pastor, tenho uma folga semanal, mas que não me é suficiente, já que sempre estou pensando na igreja e nas ovelhas. Há sempre mais para fazer. Minha mente não descansa...

Daí me lembro do epísodio de Jesus na casa de Maria e Marta em Lucas 10:38-42. Marta, preocupada com as coisas que tinha que fazer para Jesus, não parava com o trabalho da casa. "Quem sabe Jesus não está querendo um cafezinho?", poderia ela pensar. Afinal quem ali estava era o Cristo, o filho de Deus, sendo assim, temos que dar e fazer o melhor, não é?

Maria ao contrário só fazia ficar ao pés de Jesus ouvindo o que ele dizia...

É um erro pensarmos que Maria nada fazia, que ela estava desocupada e ociosa. Ela fazia muito, segundo Jesus, a coisa mais importante que podemos fazer, sentar aos seus pés e ouvir a sua voz.

Não podemos ceder às tentações do ativismo, das pressões que sofremos para "fazermos algo". Nossa sociedade é altamente ativista. Fazemos muitas coisas ao mesmo tempo. Agora, enquanto escrevo esse texto, estou ouvindo (e cantando) uma música, tomando um suco e com meu email, facebook, twitter aberto. A pouco acabei de falar ao telefone...

Maria nos ensina que devemos as vezes parar com tudo, e ao invés de simplesmente não fazer nada( o que as vezes é muito importante também!), sentar aos pés de Jesus tão somente.

A meditação não é um dos fortes da nossa geração. Se tem alguma pessoa parada, pensativa, alguém logo pensa: "Ih, está triste? Deve ter brigado com a namorada!". Nem em casa, sozinhos, conseguimos ficar assim. A televisão sempre está ligada...as vezes penso que ela liga automaticamente assim que eu entro em casa.

Precisamos resgatar esse valor. Me impressiono como na igreja também não é incentivada essa prática. Não há silêncio no culto (na verdade não há em lugar nenhum. Ele nos constrange, vide situações como a que passamos em elevadores, quando não sabemos o que dizer e fazer!) e em nossos encontros eclesiásticos. Há uma música muita conhecida que diz "Eu te busco, te procuro óh Deus, no silêncio tu estás". O que é interessante é que ela só é cantada com o bateristas soltando a mão e guitarras distorcidas em alto volume...como assim? Se Deus está no silêncio, quer dizer que naquele exato momento da música ele se foi?

Meu conselho hoje (e minha próxima tarefa ao terminar esse texto) é que você pare! Aperte o start antes que dê game over.

obs: lembrando que o start no video game tem a função de PAUSE!

30.1.11

Palhaçada em Areal






Fomos para Areal, distrito de Petrópolis, que foi também afetada pelas chuvas no mês de janeiro. Muitas pessoas estão abrigadas em colégios pois suas casas foram interditadas. O estrago lá não foi tão grande como em Teresópolis e Friburgo, mas as pessoas também ficaram desestabilizadas com o ocorrido, que choca pelas imagens!

8.1.11

O vencedor



O Vencedor (Marcelo Camelo)

Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida

Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?


Como isso me lembra o que Jesus disse "O maior é o que serve"...quem são então os verdadeiros vencedores?!?

3.12.10

Caveira!

POR MARCOS BOTELHO

Os ladrões estão lá em cima do morro, de lá eles olham todos de cima para baixo.

Olhares de medo e ódio, todos naquele morro estão com medo, já sentem cheiro de morte no ar.

Vê-se uma fila de soldados muito bem armados no pé do morro, prontos para subir e fazer justiça. Daquela manhã não passava.

Alguns homens tentam organizar a retirada das crianças e das mulheres, pois sabem que elas não suportarão o que vão ver.

Ouve-se o choro de muita gente, o desespero começa a tomar conta de um grupo de pessoas que sabem como funciona quando aqueles soldados chegam no topo do morro.

Ouvimos também alguns sussurros, são orações de familiares e conhecidos dos malfeitores.

Os bandidos que estão lá em cima já estão condenados, só faltam os soldados executarem o serviço.

No pé do morro os soldados mostram orgulhosamente um dos líderes que eles pegaram, com a cara deformada, ele não consegue nem erguer a cabeça. Eles fazem questão de mostrá-lo para todo mundo como um troféu.

Muitos gritam: Desgraçado!

A justiça até que enfim estava sendo feita naquele local.

Eles mandam o líder que tinha sido capturado, todo ensanguentado, subir o morro, outros tentam ajuda-lo, mas ele fala: hoje, ninguém vai subir, só eu.

Os soldados gritam: Caveira! Caveira! Caveira! Este não era o nome da tropa e sim do morro.

19.11.10

Como se fosse a primeira vez e a mulher adúltera




Depois todos foram para casa, mas Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada ele voltou ao pátio do Templo, e o povo se reuniu em volta dele. Jesus estava sentado, ensinando a todos. Aí alguns mestres da Lei e fariseus levaram a Jesus uma mulher que tinha sido apanhada em adultério e a obrigaram a ficar de pé no meio de todos.
Eles disseram: —Mestre, esta mulher foi apanhada no ato de adultério.
De acordo com a Lei que Moisés nos deu, as mulheres adúlteras devem ser mortas a pedradas. Mas o senhor, o que é que diz sobre isso?
Eles fizeram essa pergunta para conseguir uma prova contra Jesus, pois queriam acusá-lo. Mas ele se abaixou e começou a escrever no chão com o dedo.
Como eles continuaram a fazer a mesma pergunta, Jesus endireitou o corpo e disse a eles: —Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher! Depois abaixou-se outra vez e continuou a escrever no chão.
Quando ouviram isso, todos foram embora, um por um, começando pelos mais velhos. Ficaram só Jesus e a mulher, e ela continuou ali, de pé. Então Jesus endireitou o corpo e disse: —Mulher, onde estão eles? Não ficou ninguém para condenar você?
—Ninguém, senhor! —respondeu ela. Jesus disse: —Pois eu também não condeno você. Vá e não peque mais!

Acho essa história maravilhosa.

Nos conta que Jesus é abordado por religiosos mal intencionados, com o objetivo de que ele caia na armadilha de condenar alguém a morte, já que somente o império romano poderia fazer isso.Jesus no entanto nos ensina 3 coisas:

1) Há sempre uma maneira criativa de sairmos das situações.

Aquela mulher de fato era pecadora. De fato sua vida estava manchada pelo seu pecado, leia-se, erro de não viver como Deus deseja que vivamos, com apenas uma só mulher. Com isso, ela se via em uma situação sem saída. O que fazer naquele momento. O que Jesus deveria dizer a ela que fosse diferente daquilo que a lei ensinava?


Para Jesus há sempre uma saída. É quando ele começa a desenhar no chão. Afinal o que ele desenhava? O que ele escrevia? Essa sua atitude inquieta os religiosos, os desconcerta. Foi o silêncio de Jesus que falou mais alto. Foi exatamente o que ele não disse que deu um rumo para aquela situação. São Tomás de Aquino diz que aquele gesto foi uma prova da mudança da lei para a graça. Moisés escreveu em tábuas de pedra, Jesus escreveu no pó com os dedos...

As vezes achamos que algo em nossa vida não tem saída, não tem solução. No entanto aprendemos que Deus é um ser criativo, que cria a todo instante. Ele cria alternativas, pois ele rege todas as situações da vida como um tapeceiro cria o seu tapete num emaranhado de fios e linhas. Deus é o verdadeiro criador.

2) Jesus está mais preocupado com as pessoas do que com as instituições.


Ele não está a serviço da religião. Jesus não faz "média" com os religiosos. Para ele as pessoas estão em primeiro lugar. Como no episódio quando cura no sábado, o que era proibido pela lei judaica. Sua resposta aos que o criticam é: "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado."(Mc. 2,27).

No entanto alguns hoje colocam as instituições a frente das pessoas. Temos que lembrar que "a igreja é feita para o homem e não o homem para a igreja", ou "as programações religiosas são feitas para o homem e não o homem para as programações religiosas". Por que isso é tão difícil de fazer? Afinal, o que impede que a exemplo de Jesus, olhemos as pessoas e não a religião?

Não estou aqui condenando a religião ou a igreja. Mas o que nos parece claro em Jesus, é que o homem vem primeiro do que as instituições religiosas. Isso mostra nossas prioridades...

3) Jesus não condena, mas ensina.

Após a saída de um por um dos religiosos, Jesus se vê sozinho com a mulher. E ele diz que não a condena, mas que ela vá e não peque mais. Que ela siga a sua vida em outro sentido, em uma mudança de paradigma, de mente. Que ela se arrepende e mude de pensamento(metanoia).

Não podemos nos privar, em nome do acolhimento e da aceitação, de ensinar o reino. No reino há obediência a Cristo. No reino há nova oportunidade (sempre!) de tentar o certo. Mesmo que saibamos que vamos errar novamente, Deus nos dá uma nova oportunidade.

Lembro-me daquele filme chamado "Como se fosse a primeira vez" (50 firsts dates em inglês) com a Drew Barrymore, no qual ela sobre de uma espécie de amnésia e esquece sempre do dia anterior. Com isso ela sempre vive o mesmo dia. Seu namorado (o filme mostra a saga desse homem para tentar namorá-la), Adam Sandler, precisa então todos os dias conquistá-la, como se fosse a primeira vez.

As vezes, eu acho que Deus nos olha assim também, como se fosse a primeira vez. Para ele não há passado ou méritos. Ele nos olha como se fosse todos iguais (e somos!) e sempre da mesma forma. Em Miquéias 7:19 diz que Deus joga nossos pecados nas profundezas no mar. Eu acrescentaria que ele ainda coloca a placa "Proibido pescar". Deus não leva me conta nossos pecados e sim nossa disposição de mudar hoje.

A mulher adúltera deveria se chamar "A mulher perdoada". Por que será que temos que marcá-la com o seu erro e não o seu futuro? Com que tipo de pecado nossa vida estaria associada se a vissemos também da mesma forma que vemos essa história? É preciso que olhemos para nós e para os outros ao nosso redor conforme Cristo olhou.

20.10.10

EU AINDA ACREDITO

Acabei de chegar de um velório. E como sempre, havia aquele clima de tristeza no ar. É verdade que acreditamos que há após aquele último fechar de olhos, uma vida nova. Uma vida que se inicia. Uma vida que sonha todo aquele que crê em Jesus. Mas apesar disso, a tristeza de perder aquele a quem amamos é profunda e justa.

Vivemos em uma época que praticamente aboliu o céu. A preocupação com a morte, tão comum nos primeiros cristãos, já não se faz tão presente nas questões humanas. Poucos se perguntam a esse respeito hoje em dia.

Eu quero dizer que eu ainda acredito no céu. Eu ainda acredito nessa vida eterna que Deus planejou a nós. Eu ainda acredito que aqueles que em vida O conheceram, O reconhecerão na eternidade. Eu ainda acredito na ressurreição do corpo. Esse corpo corruptível, que será revistido de toda incorruptibilidade. Eu ainda acredito!

Paulo diz: “Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também os que morreram em Jesus, Deus há de levá‑los em sua companhia” (1Tes 4,14). Eu creio que Jesus morreu e ressuscitou. Toda a minha vida está depositada nessa esperança. Caso contrário, eu seria um cristão miserável, pois: "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens."(I Cor. 15:19)

Eu não tenho medo da morte. Eu tenho medo é de ter medo da morte. Eu desejo, no momento em que antecede o meu último respirar, desejar estar com o meu Senhor. Desejo assim pois se vivi minha vida inteira com Jesus, seria incoerente que no último suspiro eu não fosse fiel a isso. Quero ser como tantos mártires da igreja...Policarpo, Estevão, Bonnhoffer...

O filósofo Epicuro disse que não deveríamos temer a morte. E deveríamos assim agir, porque quando ela está, nós não estamos e quando nós estamos, ela não está. Nesse sentido nós nunca olharíamos para trás e constataríamos: estamos mortos! Por isso, o filósofo disse que quando nós estamos, ela não está, ou seja, nunca haverá um encontro nosso com a morte.

Eu não sou confortado por esta afirmação, por que almejo no último momento, estar feliz porque em breve verei o Senhor. A morte é a experiência mais espetacular que o ser humano poderá viver, pois ela nos dá o passaporte para encontrarmos com o Deus que nos criou, cuidou e amou e fazermos finalmente companhia a Ele.

Eu ainda acredito!

Abaixo uma música do Jeremy Camp que fala um pouco disso...

23.8.10

O Jesus bem humorado!



A propósito de um estudo mais profundo sobre a imagem de Jesus, pude notar coisas nele que nunca havia percebido outrora. Natural, já que somos treinados a lançar o nosso olhar em sua direção segundo a imagem que a igreja tem ao longo dos séculos apresentado e que normalmente não permite outros pontos de vista.

No entanto, os tempos atuais já fizeram isso por nós. Jesus é por vezes, visto como o maior líder ou psicólogo que já existiu. São tantas as tentativas de aproximação do seu arquétipo, que até aqueles que não creem acabam simpatizando com estas novas perspectivas e por que não, o conhecendo melhor. O livro “A cabana”, o mais vendido do Brasil durante mais de um ano, inova ao apresentar uma nova imagem de Deus: uma negra gorda e com grande dotes culinários.

Muitos hoje gostam da imagem do Cristo engajado e revolucionário e que é chegado em um agito, um rock n´roll. Note-se que as igrejas que exploram este caminho estão cheias e crescendo cada vez mais. Outros o aproximam dos surfistas, góticos, motoqueiros, esportistas, ecologistas, entre muitos. Independente de qual seja o modelo, é certo que Jesus tem tomado a forma de muitos deste tempo, talvez pela necessidade de novos paradigmas de Deus. Um Deus que se pareça comigo deve ser um Deus que de fato pode me amar.

Jesus em sua caminhada na terra, sempre procurou se aproximar das pessoas mostrando que ele também era humano e poderia sentir as mesmas dores que elas. Lembro-me do episódio da mulher samaritana, no qual Jesus ao vê-la, pede-lhe um pouco de água. Jesus tenta a aproximação, se apresenta primeiro como um homem que tem sede, e só depois como o messias: “Eu o sou, eu que falo contigo.” (Jo. 4, 26).

Ao ver seu amigo Lázaro morto, ele chora (Jo. 11:35). Jesus não exita em mostrar a sua vulnerabilidade humana. Ele também chama para andar ao seu lado pecadores e gente sem fé nem lei, mostrando assim, de forma radical, seu desejo em se aproximar do povo.

Ainda nessa tentativa de aproximação, apresento uma perspectiva de Jesus não tão explorada pela igreja: o seu humor. Há uma enorme distância temporal e cultural entre o tempo dEle e o nosso,e por esta razão, questões cômicas podem passar desapercebidas facilmente. Cometemos um erro anacrônico ao analisar as palavras de Jesus sem que nos remetamos à sua época e os seus significados reais. Como exemplo, a sociedade atual tem dificuldades de entender o que é ser um pastor, ou mesmo como vivem as ovelhas. A não ser que se viva em zonas rurais, não se veem facilmente ovelhas circulando pela cidade. Como então entender a parábola da ovelha perdida? Será que Jesus não provocou uma larga gargalhada dos seus ouvintes ao contar esta história? Podem ter dito “largar noventa e nove ovelhas para buscar apenas uma? Sei não Jesus.” Como saberemos? Será que Jesus não usaria o humor como um recurso literário para dizer algo?

É necessário destacar antes, que não se está dizendo que Jesus não era sério. Ele demonstra sim, toda a sua seriedade quando se apresenta como o filho de Deus e que vem em resgate de muitos. No entanto, retirar dele o riso é isentá-lo de sua humanidade. É bem verdade que os evangelhos não relatam em nenhum momento ele rindo, mas se ele foi capaz de chorar, certamente também o foi de dar risadas.

Jesus radicaliza ao apresentar uma nova imagem de Deus: o Abba. É o “paizinho” que a criança pequena chama ou então como eu mesmo fazia: “paiêee!”. Jesus apresenta um Deus próximo, um pai que se preocupa com o filho e que se permite ser conhecido intimamente pelos que o buscam.

No antigo testamento, se conheceu um Deus todo poderoso. Que ria e zombava das nações outras(Salmos 2:4). Jesus vem então apresentar não um novo Deus, mas sim uma nova imagem dEle: um Deus que ao invés de rir do homem, ri com o homem, que Ele mesmo faz rir. Diferente do que disse certa vez o cineasta Woody Allen “Quer fazer Deus rir? Conte a ele os seus planos.”. Neste caso, Deus ri melhor, quando vivemos os planos dEle. Jesus apresenta um Deus que ri com a humanidade que anda com ele.

Em Mateus 9:24, o evangelista conta um episódio em que as pessoas riram de Jesus quando ele disse que a filha de Jairo, não estava morta e sim dormindo. Certamente este caso não se pode identificar como algo genuinamente humorístico de Jesus, e sim, como um caso de zombaria dos outros para com ele. Talvez Jesus fosse como um palhaço neste instante: alvo da risada dos outros. No entanto ela foi curada e a risada se inverteu para os lábios da menina. Jesus como palhaço teria o seu ápice na cruz. Eis o palhaço de Deus que tira a tristeza do mundo. Através desse sacrifício, motivo de risos de zombaria de muitos, toda a humanidade pode hoje sorrir de verdade.

Jesus vivia uma tensão latente com os líderes religiosos, que o acompanhavam em quase todos seus passos. Vemos vários relatos de diálogos intensos entre Jesus e eles. Ficaria mais difícil nestes momentos enxergar o humor em Jesus. No entanto em Mateus 23:24 ele diz que os escribas e fariseus são como “guias cegos, que coam um mosquito e engolem um camelo”. Que comparação engraçada. Guias cegos? É impossível não rir ao pensar em uma pessoa coando um mosquito mas engolindo um camelo. Muito engraçado.

Jesus gosta de colocar apelidos em seus amigos. Com Pedro ele chama de “pedra”. Apesar de muitas interpretações desta passagem darem um sentido outro para essa expressão, as quais são para mim equivocadas, entendo que Jesus estava dizendo o mesmo que chamar uma pessoa obesa de “magrinha”. Pedro era o oposto de uma pedra. Observa-se bem isso no episódio da crucificação quando este o trai. Um ser instável e inconstante era esse Pedro não?

Analisando outra passagem, em que ele diz que os seus discípulos não jejuam pois o noivo ainda está com eles, podemos dizer que para Jesus, estar na terra era como uma festa. E ele diz ainda que no céu também há festa quando um pecador se arrepende. Festa sem graça, sem alegria, não é festa.

São muitas as facetas da vida de Jesus em que se pode observar o seu humor. Ver o cômico nele pode ser uma chave hermenêutica plausível e que abre alguns caminhos para as verdades contidas na bíblia. Ele veio trazer vida abundante, de forma integral. Vida abundante de sorrisos e gargalhadas. E certamente ele deve ter sido uma pessoa com grande senso de humor, a ponto de estar sempre cercado de pessoas. Ninguém gosta de ficar ao lado de alguém mal-humorado.

Jesus logo no início do seu ministério faz uma pergunta aos discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?(...) E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt. 16,13-15). Desta forma, percebemos que ele se interessa pela imagem que o mundo tem dEle, afinal Jesus é a nova imagem de Deus. E qual é a imagem que a igreja tem apresentado dEle ao longo da história? Buscar apresentar uma melhor e mais real visão de Deus, compatíveis com as escrituras deve ser o desejo de todo cristão. No entanto Ele continua e perguntar para nós: “E tu, quem dizes que eu sou?”.

Vejo Jesus contando histórias engraçadas para os discípulos em volta da mesa. Não que fosse um, mas não deve ter sido à toa que ele foi acusado de beberrão e comilão. Suas longas gargalhadas devem ter sido confundidas com bebedeiras, talvez tal como no episódio do Pentecostes em Atos 2. Sentar à mesa fazendo as pessoas rirem, esse é o meu Senhor. Podemos então dizer que fazer sorrir, foi o alvo compulsivo levado até às últimas consequências por Jesus, o maior especialista em Graça que já existiu.

5.8.10

Meu casamento

Seguem algumas fotos do maior motivo de minha alegria! E também uns dos motivos da minha ausência nesse blog...mas é por uma boa causa.
Desisti da bicicleta...





27.4.10

Adnet cantando o hino do fogão "a la" Joel



Adnet, que é botafoguense roxo, manda muito no improviso! O cara é fera!



5.3.10

Religação


O filme religação
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A linha telefónica já alguma vez foi a baixo quando estava a falar com alguém? Quando isto acontece, você tenta ligar de novo, logo que possível, para poder continuar a conversa.
Como vai ver neste curto filme, o nosso relacionamento com Deus tem sido interrompido à semelhança de uma ligação que é cortada. Como o pai neste filme dá tudo para tentar restabelecer a ligação com a sua filha, Deus, o nosso Pai celestial, tem dado tudo para se ligar connosco de novo.

Fonte: Conhecer a Deus

21.2.10

Palhaços levam alegria a crianças que sobreviveram ao terremoto no Haiti


Eles começaram a fazer show em campos de refugiados em Porto Príncipe.
Objetivo é 'devolver a infância' aos atingidos pela catástrofe, diz porta-voz.


Crianças de um campo de refugiados de Porto Príncipe, capital do Haiti, receberam no sábado a visita de palhaços, mais de um mês depois do terremoto que devastou o país e matou mais de 230 mil pessoas.


Os quatro palhaços são integrantes do grupo de caridade franco-canadense 'Palhaços Sem Fronteiras".

Foto: AP

Palhaço faz show para crianças em campo de refugiados de Porto Príncipe, capital do Haiti, neste sábado (20). (Foto: AP)



Eles haviam chegado na quarta-feira à cidade devastada pelo tremor. O objetivo é levar um pouco de alegria às crianças em meio às dificuldades da vida pós-tremor.

O grupo é patrocinado pelo ramo haitiano dos Escoteiros, que levou-os para campos de refugiados.

"A catástrofe roubou a infância das crianças, eles viraram adultos muito rápidos", disse Alex George, porta-voz do grupo. "Então agora é hora de eles voltarem a ser crianças e sorrirem."

Os palhaços devem passar mais dez dias no país. Eles já haviam feito missões no país, o mais pobre das Américas, antes mesmo do tremor de 12 de janeiro passado.




Fonte: G1




Esses caras do Palhaços sem Fronteiras são feras demais...trabalho muito bom!

18.1.10

Deus e o Diabo no Haiti

Crônica - Luis Fernando Veríssimo

O evangélico Pat Robertson, um dos líderes da direita religiosa americana, tem uma explicação para as desgraças do Haiti que culminaram com esse terremoto demolidor.

Um dos países mais miseráveis do mundo, com uma história ininterrupta de privações, violência e instabilidade política, o Haiti estaria pagando por um pacto que fez com o Diabo em 1804, quando pediu sua ajuda para expulsar os colonizadores franceses e tornar-se uma república.

Desde então, os haitianos viveriam sob uma maldição. O terremoto, segundo Pat Robertson, é apenas o castigo mais recente. Mas o religioso pediu a seus fiéis que rezassem pelos haitianos. E, presumivelmente, pedissem a Deus que esquecesse velhos ressentimentos e lhes desse uma folga.

Se o Diabo ajudou mesmo os haitianos contra os franceses foi por uma causa nobre. O Haiti foi o primeiro país do mundo a abolir a escravidão, dando um exemplo que custou a ser seguido pelos outros.

A república, também inédita, fundada depois da expulsão dos franceses era de ex-escravos, e acolhia escravos fugidos ou alforriados de outros países. E se Deus os castigou por esta audácia, não foi o único.

A França exigiu e recebeu reparação pela colônia perdida, o que aleijou a economia da nova república por muito tempo. A vizinhança com os Estados Unidos também não ajudou. Os americanos chegaram a ocupar o Haiti durante vinte anos, sem muito proveito para o país.

Grandes negócios foram feitos na época dos ditadores Papa Doc e Baby Doc Duvalier, também sem muito proveito para o país.

Nos últimos tempos, apoiando e desapoiando líderes mais ou menos populares, os americanos têm tentado manter no Haiti uma democracia representativa mas não representativa demais, a ponto de armar politicamente uma massa de desesperançados, com o risco de eles também convocarem o Diabo.

Agora não se sabe o que vai surgir dos escombros da tragédia.

Outro

O Deus vingativo de Pat Robertson certamente não era o Deus de Zilda Arns, que morreu no Haiti trabalhando pela causa da sua vida, a ajuda aos pobres e, principalmente, às crianças. O seu era um Deus solidário. Infelizmente, pouca gente no mundo está disposta a fazer um pacto como o que Zilda Arns fez com este outro Deus. Ela sobreviverá como um exemplo e uma inspiração.

15.1.10

EU JÁ SABIA!!!

Vodu impede que soldados flamenguistas levem camisa ao Haiti

BRASÍLIA - Os soldados brasileiros da força multilateral de paz no Haiti que são torcedores do Flamengo, clube identificado com as cores vermelho e o preto, características do vudu, deixaram em casa por ordem de seus superiores os símbolos do time para evitar mal-entendidos com os haitianos.

''O Ministério das Relações Exteriores disse-nos que advertíssemos a nossos soldados que não levassem camisas e bandeiras do Flamengo, que poderiam ser utilizadas por alguns militares em momentos de lazer'', disse à EFE o coronel Luiz Felipe Carbonell.

Carbonell, encarregado das relações públicas do exército brasileiro no Haiti, comentou a medida foi tomada para reforçar a imagem de solidariedade que a tropa brasileira pretende levar à ex-colônia francesa.

Luiz Felipe Carbonell, de 48 anos, 30 deles dedicados à carreira militar, ressaltou que os soldados brasileiros foram informados sobre a importância que os haitianos dão ao culto do vodu.

Ele explicou que, com relação a esse costume, não existe nenhuma preocupação, a não ser a de evitar incompreensões culturais.

''O vodu não é necessariamente uma preocupação para nós, que vivemos num país onde o sincretismo religioso está bastante presente'', disse.

No maior país sul-americano, onde 70 por cento da população são católicos, uma significativa parte dos cerca de 175 milhões de habitantes tem como religião a umbanda, crença de origem africana e que tem elementos similares aos do vodu.

''No Haiti, nos empenharemos em demonstrar que somos um grupo em missão de paz, que quer ajudar a reconstruir o país e buscará uma interação harmoniosa com a população'', disse o coronel, que já comandou o Regimento de Cavalaria Mecanizada do estado de Santa Catarina.

Por Manuel Martínez

Agência EFE


Fonte: JB Online


Eu sempre soube que havia uma relação tênue entre a urubuzada e o coisa ruim...quer mais exemplos?!?! rs...